quinta-feira, 15 de março de 2012

SOBRE LIVROS, AMORES E O QUE VALE A PENA.

SOBRE LIVROS, AMORES E O QUE VALE A PENA.
Por Sarah Suzane Bertolli
O rapaz recita poemas para sua namorada. É amor que flui de seus olhos apaixonados e a emoção hiperbólica é plena nas palavras daquele poeta que parece conhecer seu sentimento, sua história ou, como diria Fernando Pessoa, sua dor. A mãe insone pega o livrinho na estante e o bebê é acalentado pelas palavras da leitura de ninar. É amor que pulsa dentro dela ao contemplar o sorriso inocente de seu pequeno, os olhinhos dele a se encantar com aquele mundo de ideias e sons descobertos.Cenas tão típicas e singelas que sofremos ao saber que um dia serão transformadas. Enquanto a sociedade pós-moderna desestruturou a família, fragilizou o sentimento, mercantilizou a escola e banalizou a religião; a tecnologia encurtou as fronteiras, conheceu o espaço sideral, salvou vidas e inventou inúmeros apetrechos que repentinamente passaram a ser considerados imprescindíveis para a (sobre)vivência – um desses foi o livro digital, engenhoca da era “billgatteana” que promete melhorar (?), popularizar(?) e facilitar(?) o acesso à leitura. O computador revolucionou a lista de prioridades do ser humano: se antes as pessoas liam à luz de seus abajures antes de dormir, hoje ninguém consegue ir para cama sem antes checar e-mails, blogs, sites de relacionamento e, é claro, bater um papinho com os amigos pelo Messenger. (JVc naum pode se alienar do mundo,neah?affs...rsrsrs) Os dias hoje não parecem ter 24 horas, o ano passa tão depressa que já não há tempo para as coisas realmente importantes: conversar na porta de casa com a família, planejar um piquenique, colher flores, ver estrelas, pensar em Deus e falar com Ele ou ler um bom livro, saboreando as palavras sem a ansiedade que impera em nossas vidas e nos escraviza em nossa própria masmorra de desorganização temporal. Aristóteles, filósofo grego e estudioso de literatura, afirma que esta possui quatro funções: cognitiva (ao lermos, aprendemos algo), estética (satisfação do belo), catártica (significa purificação, identificação com a obra) e engajada (denúncia dos problemas sociais). Nestes últimos tempos, a arte em palavras parece perder seus objetivos de emocionar e provocar, de fazer com que reflitamos, conheçamos e nos tornemos mais sábios. Culpa da tecnologia? Do Bill Gates? Da Apple? Do Facebook? Do livro digital? Não. Nós, seres humanos, é que perdemos o encanto pela leitura e aqui estamos estagnados nesta geração tão preocupada com fones de ouvido, celulares, fast-foods, jogos de computador e adquirir dinheiro fácil. O que mudou (infelizmente) foram os valores prioritários, o conceito de felicidade, do que realmente é importante. Ler é fundamental para o crescimento não apenas cognitivo, mas também pessoal, espiritual (a Bíblia é fonte de renovação da vida) e afetivo. O ato de pegar um livro e sentar à sombra de uma árvore para ali, em paz e em harmonia com a natureza, desfrutar da leitura, é visto com estranheza pela maioria da população. Estranho é saber que essas atitudes tão singelas estão extintas e dão lugar a um comportamento ansioso, em um mundo no qual inclusive a prática de leitura é não incentivada e desmoralizada. Porém, Monteiro Lobato tem mesmo razão ao declarar que “um país se faz com homens e livros” – sejam eles digitais ou não, a mensagem é bem clara: o importante é ler. Mesmo assim é preciso ressaltar que bem mais simples e tão poético (e mais barato...) é folhear as páginas de um livro, ter em mãos o poder de sorrateiramente se deixar levar pela curiosidade e adiantar o final da história, reler trechos marcantes, sentir o cheiro da obra, a textura, tocar as anotações de antigos leitores... Ah, será mesmo que esse livro digital veio para destronar os livros DE VERDADE?? Mesmo que tente essa usurpação (quanta ousadia!), isso pode demorar anos, décadas e mesmo assim, seu acesso será para a parte elitizada da sociedade. Mas, chegando de frufrus nostálgicos, é essencial ressaltar: ler é o mais importante - e ler a Bíblia, o Livro dos livros - é de suprema dádiva a todos. Isso é amor. Isso é viver. Afinal, o dia permanece com 24 horas.

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