segunda-feira, 28 de maio de 2012

Passeio Cultural - Cidade de Goiás (CeANM)

Eram quatro e meia da manhã (leia-se madrugada para alguns) do dia 25 de abril, quando chegou o primeiro aluno. E depois outro e outros. O motivo de tamanha ansiedade e saudável expectativa era o passeio cultural do Colégio Adventista do Novo mundo a Cidade de Goiás. A interdisciplinaridade entre as disciplinas de história e literatura, coordenadas respectivamente pelos professores Geniscley Tavares e Sarah Bertolli, partiu da necessidade de contextualizar o conhecimento, apresentando-o de uma forma mais interessante, prazerosa e concreta aos alunos dos 2º e 3º anos do Ensino Médio. Afinal, estudar a história de Goiás com suas particularidades culturais, literárias e de formação do homem e da sociedade na terra do pequi é mais bem assimilada ao subir e descer as infinitas ladeiras de nossa primeira capital.
O clima (exterior e interior) era de sorriso largo e amizade. O entusiasmo foi geral ao chegarmos ao nosso destino. O guia Rafael, que já nos aguardava, conduziu-nos ao Museu das Bandeiras, onde a introdução ao estudo ocorreu em um ambiente misterioso e cenário de atrocidades em séculos passados: uma cadeia para escravos, a primeira “sala” visitada do Museu. Os olhares atentos dos alunos e o silêncio reinante demonstravam que até o ar quente e úmido daquele dia tornariam o passeio inesquecível.
Após conhecermos mais sobre os pioneiros goianos e os fatos marcantes de nossas primeiras décadas, registramos através de câmeras fotográficas e da vontade de aprender as peças originais de séculos XVII e XVIII ali expostas, os instrumentos de tortura, os objetos da cultura indígena, o mobiliário de cada cômodo da casa do “senhor”; e para além de apenas vermos, refletimos: sobre a questão antropocêntrica e suas consequências em tempos coloniais e pós-modernos, a segregação em classes sociais e como as nossas raízes regadas em sangue fez brotar em nós preconceitos que em plano edênico não existiam.
Em seguida, caminhamos (observados pelas janelas indiscretas e intrigantemente gêmeas) até a Casa de Cora Coralina, museu-moradia da famosa poetisa e doutora honoris causa pela Universidade Federal de Goiás. Antes de vasculharmos com o olhar cada canto de inspiração dos versos simples e significativos da famosa ex-doceira, visitamos a igreja da Boa Morte e conhecemos (através do guia Rafael) suas lendas.
Bebemos água da fonte (do saber, principalmente), sentimos o cheiro da história de verdade, compreendemos as inquietações literárias da doce senhora e ainda saboreamos picolés de fruta do ancião nativo da região, e depois conhecemos o Palácio, o qual recebe uma vez por ano a família do governador, já que a Cidade de Goiás volta a ser (neste período simbolicamente curto) a capital do estado. Os retratos na parede (bustos pincelados de antigos governadores) nos indicavam como há riqueza no saber concreto, no ver e no sentir para uma absorção efetiva do conhecimento. Os pratos pintados a mão, a arquitetura, a fonte tão bela – protagonista do quintal palaciano – são recortes que permanecerão em nossa lembrança.
Após muito suor, risadas e ladeiras, aproveitamos o restante do dia no maravilhoso Balneário Santo Antônio, onde nos servimos de típica comida caseira, conhecemos melhor nossos amigos, conversamos, brincamos, caminhamos, nadamos e desfrutamos as belezas naturais do lugar, pinceladas ainda mais perfeitas e instigantes do nosso Criador.
Sim, aprendemos muito. E voltamos satisfeitos e com vontade de “quero mais”.
O estudo foi realmente de troca de saberes, de forma horizontal e significativa. Os professores Geniscley e Sarah e o vice-diretor Douglas (que também coordenou o passeio) também aprenderam, também ensinaram... Porque na vida, afinal, todos somos alunos.
E encerramos com poema da consagrada Cora, coração de Goiás, para que sempre recordemos esses momentos singulares:
“Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

De Jesus, que veio lá de Nazaré.

Amigos, segue abaixo apenas um pequeno texto-desabafo sobre a questão da mídia (especificamente das redes sociais e seu uso inadequado) e dos jovens. Produzi para um culto JA que participei ontem. Feliz Semana! Abraços...

"Tu vês muitas cousas, mas não as observa, ainda que tenhas os ouvidos abertos, nada ouves". (Isaías 42:20)

De Jesus, que veio lá de Nazaré
Por Sarah Suzane Bertolli
A pós-modernidade afundou o ser humano. E a era tecnológica tornou míope o mundo, agora incapaz de concentrar-se no essencial, tão ocupado está em assuntos periféricos midiatizados pelas redes sociais, compartilhados pelos amigos virtuais (muitos dos quais nunca se abraçaram, oraram ou choraram juntos). Se o evangelho foi disseminado e os fiéis multiplicados como nunca dantes, quão pouco a era facebookiana conseguiu alcançar a profundidade dessa fé, formar cristãos que de fato honrem o nome que lhe envolvem.
Veríssimo já apontou o emburrecimento provocado pelo "circo humano" - o BBB, a fascinação diabólica dos telespectadores pelas orgias, bebedeiras, glutonarias e outros pecados é algo que nos faz compreender os índices medíocres do Brasil em testes como o de PISA, que avalia o nível de leitura dos estudantes!
E tantos são os adventistas do sétimo dia que acostumam o seu olhar em tais programas e tornam-se incapazes de ler a palavra de Deus, de ouvir a Sua voz, de manter uma conversa produtiva e pura...
Não, Deus não afrouxou seus princípios, não deslocou seus valores. É a igreja de Laodicéia que será vomitada pela sua mornidão espiritual. Guarde seus olhos da podridão deste mundo para que desejes o Céu todos os dias e o alcance. Revele sua identidade cristã através do seu falar, da modéstia do seu vestir, de seu sorrir, pensar e das postagens nas redes sociais.
Em tempos de BBB, da falácia de celebridades tão fúteis (e que pregam nocivas ideologias), de Luiza que veio lá do Canadá, de crimes e impunidades; não podemos nos esquecer de JESUS, que veio lá de Nazaré. Sim, Ele é seu amigo real - que te abraça, ora e chora com você!

Interpretação de poemas

Objetivos
- Compreender o papel das rimas e jogos de palavras na construção dos sentidos do poema.
- Interpretar poemas, levando em consideração os efeitos gerados pelas palavras.

Conteúdo
- Leitura de poemas.

Ano
6º ano.

Tempo estimado
4 aulas.

Material necessário
- Lápis de cor;
- Aparelho de som;
- CD "A arca de Noé", de Vinícius de Moraes (disponível em abr.io/download-musica);
- Letras das músicas "A casa", "O mosquito", "O Pato" e "As Abelhinhas" (abr.io/musicas);
- Cópia dos poemas "A Farmácia", de Pedro Bandeira (abr.io/a-farmacia), e "A Caminhada", de Sidônio Muralha (abr.io/a-caminhada)

Desenvolvimento

1ª etapaDistribua entre os alunos as cópias dos poemas "A Farmácia" e "A caminhada". Nessa etapa, o objetivo é chamar a atenção do aluno para dois aspectos da rima: a construção do ritmo de leitura e o jogo de palavras.
Leia os dois poemas e pergunte qual dos dois permite uma leitura mais marcada e o que possibilita isso. Em seguida, peça que os alunos identifiquem, com lápis colorido, as palavras que rimam entre si. Logo após, abra uma discussão sobre o jogo de palavras de alguns versos, tais como: "Nessa mata ninguém mata" (a palavra "mata" tem o mesmo sentido nesse verso?), "com duas patas de pata" (qual a diferença entre "patas" e "pata").
Pergunte aos alunos sobre a relação do título do poema com o verso "pata acolá, pata aqui". Leve-os a perceber o jogo que o poeta faz com a palavra "patinha", que ora é o membro inferior do animal ("seguida de dez patinhas" - 2ª estrofe) e ora é o diminutivo feminino de pato ("e cada patinha tem" - 3ª estrofe).

2ª etapa
Nessa etapa, o objetivo é levar o aluno a perceber, com clareza, como a rima e os jogos de palavras contribuem para a construção do sentido com base no ritmo que impõem à música.
Distribua a cópia da letra da música "O Pato". Antes de colocá-la para tocar, pergunte quem já a conhece e permita que eles leiam a letra da música. Após a audição, divida os alunos em dois grupos para que façam uma leitura - isso vai deixar claro para eles a marcação rítmica.
Discuta o comportamento do pato e as suas consequências. Logo após, pergunte à turma: será que o ritmo do poema tem algo a ver com o pato e com o seu fim? Peça aos alunos que destaquem as rimas da primeira estrofe. Pergunte que efeito essa rima imprime na primeira estrofe (eles devem concluir que as palavras reproduzem o ritmo do andar do pato).
Em seguida, peça aos alunos que marquem, com lápis de cor, as demais rimas do poema. Coloque a música mais uma vez e peça aos alunos que percebem como Vinícius de Moraes (1913-1980) muda o tom e o ritmo da voz para indicar a sequência de erros do pato (a causa) e seu final na panela (a consequência). Eles devem concluir que as rimas construíram um ritmo que mostra o andar do pato e sua sequência de erros. Faça um registro da conclusão no quadro.
3ª etapa
Exponha no quadro a letra da música "A Casa". Explique aos alunos que a atividade consiste em desconstruir as rimas. Cante a música com os alunos, peça que eles destaquem as rimas e abra uma breve discussão sobre os sentidos possíveis do poema: é uma casa real? Seria um poema para adultos ou para crianças? Peça para eles justificarem a escolha com base nas palavras usadas pelo autor.
Após essa discussão, comece a reescrita do poema, retirando as rimas (por exemplo, substituindo "nada" por "parede": era uma casa muito engraçada - não tinha teto, não tinha parede). Feita toda a reescrita, peça que os alunos cantem novamente e pergunte-lhes qual o impacto da troca das palavras na sonoridade.

4ª etapa
Nessa fase, o objetivo é colocar o aluno em uma situação concreta de produção e de intepretação da rima. Exponha no quadro a letra da música "A Casa". Explique para os alunos que será feita, coletivamente, uma versão para a música com outro objeto, por exemplo, uma faca. Esclareça que devem manter o ritmo e as rimas da música original. Assim, caso a versão seja "A Faca", o início ficará como no exemplo abaixo:

A Faca
Era uma faca
Sempre amolada
Cortava tudo
Ficava nada

Essa atividade é um bom momento para trabalhar a consciência rítmica e a escolha lexical para a construção da rima. A questão é mostrar ao aluno que não é só rimar, mas selecionar palavras que se harmonizem em som e sentido à proposta do poema. Terminada a versão, divida a turma em duplas e peça que façam outra versão da mesma música, mas com outro objeto. Em seguida, peça para cada dupla cantar ou declamar.

Avaliação
Distribua entre os alunos os poemas "O Mosquito" e "As Abelhinhas" e peça que façam uma análise levanto em consideração os efeitos gerados pelas rimas e pela escolha das palavras. O que se espera do aluno é que :

- Relacione o ritmo imposto pelas rimas aos sentidos do poema;
- Explique - com trechos do poema - os efeitos gerados pelas rimas;
- Identifique expressões e jogo de palavras que contribuam para a construção dos sentidos do poema.

Consultoria
Glaucio Ramos, professor da EM São Cristovão, em Recife.
Fonte: Revista Nova Escola