DESENSINANDO O AMOR AOS LIVROS
Por: Rubem Alves
Quer ensinar um jovem a odiar literatura? Dê-lhe, como dever, fazer fichamentos.
A tarefa de fichar o livro desvia o aluno do único objetivo da leitura que é o prazer.
Em uma de minhas mudanças, um carregador disse: “Como deve ser difícil decorar todos esses livros...”
Aquele carregador dizia em linguagem direta o que o que está dito na tarefa de fichar: Ler é uma tarefa penosa.
Em vez do fichamento peça que o aluno fale sobre as idéias dele, aluno, que aquele aluno o fez pensar. Para que fazer um resumo do livro se ele já foi escrito?
Pavlov, cientista russo, mostrou que é possível fazer um cão salivar pelo simples toque de uma campainha.
Sua lição se aplica a pedagogia. Os fichamentos, repetidos várias vezes, criam no aluno o reflexo condicionado de repulsão pelo livro.
Retirado do Livro: Ostra feliz não faz pérola.
Editora Planeta.
Reflexões:
1) Fichamento de livro faz aluno se apaixonar pelos livros?
2) Fichamentos, o único caminho para trabalhar leitura?
3) Quando é que o fichamento de um livro pode ser a melhor estratégia?
Gláucia Clara Korkischko Lima - Coordenadora ASM
Queridos professores,
Postem sua opinião sobre esse assunto. Vamos participar e aprender a melhorar nossa prática de ensino! Agradecemos a professora Glaúcia Clara pela excelente contribuição!
:)
Olá Professores
ResponderExcluirParticularmente não acredito em fichamento de livros como meio para fazer o aluno gostar de ler.
Pode até ser um meio de levá-lo para uma leitura mais sistemática, mas esse procedimento forma um leitor apaixonado? Acho muito difícil.
Vou procurar pesquisas já realizadas para ter um embasamento científico sobre minhas hipóteses.
Pelo menos minha experiência não me confirma isso:
Meu gosto por leitura veio do exemplo de minha mãe e irmã mais velha.
Eu as via rindo sozinhas enquanto lia e até algumas vezes elas me diziam que tinham chorado com a leitura de uma determinada parte do livro. Lembro-me de muitas idas com minha mãe à bilbioteca municipal e na época li toda a série Taquara-Póca, de Francisco Marins.
Vai agora um desafio para todos os professores de Língua Portuguesa da UCOB:
Buscarem novos caminhos e alternativas, propondo projetos de leitura, que com o passar do tempo vá se percebendo que não há mais necessidade de ter a Ficha de Leitura como centro do processo de avaliação da leitura e meio para se perceber se o aluno leu.
Não estou querendo dizer com isso que ela não deva existir, mas acredito que deve ter outras formas de levar os alunos a lerem e amarem a leitura. Acho difícil gostar de ler, se na escola todo livro adotado, será de alguma forma cobrado na prova ou preenchido fichas.
Que tal abrir nesse blogger um espaço para narrativas de sucesso com a leitura? Quem já conseguiu achar o caminho, partilhe com os colegas sua experiência
Podem rebater minhas hipóteses. Vocês estão em sala de aula e vêem a "coisa" acontecendo.
Alguém tem conhecimento de alguma pesquisa nesse sentido?
Eleni H. Wordell
Eleni Wordell - Coordenadora Pedagógica Ucob
Queridos professores, concordo com a opinião da professora Eleni: o fichamento tal qual conhecemos não instiga a leitura para o prazer. Leitores são encantados pelo próprio ato de ler, quando lhes é possível escolher o gênero que mais lhes agradam, e ao cairem nas malhas da narrativa são capazes de inclusive experimentar novos horizontes literários. A professora Vera Maria Tietzmann Silva da UFG trabalha a disciplina da Literatura Infanto-juvenil de uma maneira comovente. Das diversas estratégias utilizadas em suas aulas, as que permanecem em minha memória são as aulas de leitura e análise em voz alta, as palavras de Lobato, em O Sítio do Pica-pau Amarelo, saíam das páginas empoeiradas do livro e dançavam perante nós. Não foi apenas uma única vez que lembro de minha professora chorando: a leitura provocou catarse, emoção.
ResponderExcluirIsso não se consegue decodificando trechos. É preciso ensinar a paixão de ler pelo exemplo, pelo ludismo. Os objetivos das aulas de leitura precisam ser mais nobres... Tem a missão de marcarem vidas, eternamente.
:)
Pode até parecer redundância mas é a realidade.O fichamento só pela cobrança não instiga o aluno ao processo de leitura muito menos no desenvolvimento de um hábito de leitura.
ResponderExcluirSó há uma maneira de nos tornarmos leitores: lendo. Há uma cobrança sem prescendentes sobre os professores,acreditam que é uma função exclusiva de nosso ofício mas não acredito nisso.Segundo especiaistas,e nós sabemos na prática,a família é decisiva para incentivar a leitura.Temos que cobrar dos responsáveis pelo aluno que se posicionem e colaborem pois o maior beneficiário é o próprio aluno.
Não há receita pronta mas podemos partilhar as experiências e utilizá-las,na busca de melhorar nossa prática docente levando o aluno a descobrir o prazer da leitura.Instigá-los ao comentar sobre trechos de livros considerados "clássicos universais",comentar sobre artigos curiosos e importantes para a vida acadêmica e espiritual.
Estamos numa concorrência desleal ,competir com as mídias.Então tentemos usá-las em nosso favor.Contudo,lembrem-se queridos professores,muitos de nós somos professores hoje,porque um dia alguém nos inspirou!Lembro-me com carinho de cada um dos meus mestres,especialmente as minhas professoras de Língua Portuguesa que foram divisoras de água na minha vida!